Babu Santana
ENTREVISTA
- Bujiú é a típica liderança criminosa que abusa do poder. Quais as nuanças que você buscou para afastar o personagem da caricatura?
Sempre que me chamam para fazer um criminoso, um bandido, eu penso muito nas coisas que eu já vi. É comum se fixarem o estereótipo do cara e esquecerem que por trás dele tem uma pessoa. Assim, na preparação para o Bujiú eu pensei que ele poderia ser um guloso, uma dessas crianças capazes de comer uma bisnaga inteira de uma vez só. Eu comecei a pensar nele como um comedor compulsivo. O poder dele já era explícito, muito do personagem estava em mim. O que eu procurei em dar ao Bujiú foi um tom humano, que é essa compulsão, essa característica de não medir esforços para comer.
- Como você avalia o Bujiú frente aos outros personagens que você interpretou na TV e no cinema. Ele trouxe novidades?
O Bujiú tem um tom de humor que é muito interessante. Mais ainda quando ele encontra o Raimundo Nonato, o cara que tem a possibilidade de realizar o sonho da vida dele, que é ficar ali na cadeia, comandando tudo e comendo bem (risos). Toda vez que me chamam para fazer um personagem eu não me importo que seja um bandido – quero é que venham mais 200 bandidos (risos)! O que me importa é a importância dramática dele na história. E o Bujiú tinha uma colocação muito boa no texto, um tom de comédia bem leve.
- Como foi conviver, no ambiente carcerário em que foram rodadas as cenas do filme, com atores de experiências tão diversas?
Foi basicamente um bate-papo de atores – o Marcos Jorge soube usar um pouco da experiência de cada um para compor as cenas. O que a gente buscou então foi humanizar aquela cela e passar a ver os detentos como uma comunidade. Quem também ajudou bastante nessa parte do filme foi o Luis Mendes Jr., que deu consultoria sobre a vida na cadeia.
- Vocês parecem ter se divertido bastante na cena do banquete. Comeu-se bem durante as filmagens?
(risos) Caramba, por causa daquela cena eu não como carne de porco até hoje! Até a gente acertar tudo, eu tive que repetir umas três ou quatro vezes. E foi punk... Eu queria dar uma veracidade à cena e comia mesmo! Só a partir da metade do dia é que eu comecei a fazer o truque de botar a comida na boca e não engolir.
- O que você achou da dupla premiação no Festival do Rio 2007?
Foi surpresa total. Tinha cinco anos que eu ia ao Festival e, nesse último, as meninas da organização ligaram perguntando se eu iria. Achei engraçado, porque eu sempre estava lá e ninguém tinha se preocupado com isso (risos)! Fui meio com a pulga atrás da orelha... Mas quando saiu o prêmio de melhor ator para o João Miguel, eu relaxei – eu sabia que era para ele. A única esperança que eu tinha era ali – nunca tinha visto um prêmio especial ser dado para atores. Pois aí eu estava lá, feliz pelo “ESTÔMAGO”, quando fui chamado ao palco. Achei até que era para apresentar algum prêmio, quando na verdade era para receber. Demorou até cair a ficha!























