Fabíula Nascimento
ENTREVISTA
- De cara, como é que pegou essa história de interpretar uma prostituta gulosa?
Eu fiquei super interessada quando li o roteiro – achei fantástica a personagem, essa troca de sexo por comida que ela estabelece com o Raimundo Nonato. Também achei bacana ter que engordar seis quilos para deixá-la bem felliniana. Era um papel arriscado, e eu fiquei muito feliz em ter passado em todos os testes para poder fazê-la.
- Houve alguma espécie de laboratório para compor a Íria?
Na realidade foi um laboratório curto. Eu conheci algumas garotas de programa que trabalham numa rua perto da minha casa aqui em Curitiba e marquei um bom almoço com duas delas. Ao longo da conversa, eu tentei entender porque elas estavam naquela vida. Depois eu fui à boate onde o filme acabou sendo rodado para ver as meninas dançando. O que eu achei muito interessante era a alegria que elas tinham. Porque a vida delas é muito sofrida, são prostitutas de rua que trabalham há 15 anos por aqui. Então elas mentiam pra mim o tempo inteiro (risos), como se fosse muito bom ser prostituta. Por causa disso eu tentei pôr uma alegria na Íria – é aquele sorriso, aquela força dela.
- Você estreou em longas-metragens já com uma repercussão e tanto. O que foi que as pessoas mais costumam comentar sobre sua atuação?
Ah, elas costumam chegar e falar: “caramba, que mulher é essa? Você é uma menina!” (risos).
- Como foi para você se ver recriada na tela como uma gordinha sexy e desbocada?
É muito maluco... Eu me desprendi totalmente da vaidade. Adoro as cenas em que aparece a pança, aquela coisa bem humana.
- Aliás, a cena da dança na boate é dos seus momentos de maior exposição no filme. Como foi que você encarou esse desafio?
Eu fiz uma dança, mostrei pro Marcos Jorge e ele achou legal. Na hora de gravar, quando vi que tinha muita figuração – gente que eu nunca tinha visto, alguns conhecidos – eu tremia da cabeça aos pés. Eu só pensava: agora vou tirar a roupa na frente de todas essas pessoas! Mas foram duas vezes só – na terceira vez eu já estava em casa (risos).























